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Trump e Lula: Além da Razão?

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Essa semana eu não poderia falar de outra coisa senão da eleição americana. Mas falar da eleição americana significa falar de quem elegeu Trump Presidente. Foi a classe média. Não vou aqui traçar um perfil da classe média americana, pois não sou especialista no assunto. Mas eu sei que, assim como no Brasil, em casos como o de Dilma, Haddad e Freixo, não adiantou o apelo dos artistas e intelectuais, pedindo votos. Nos Estados Unidos sequer adiantou o apelo do mercado. Não adiantou chamar as pessoas a votarem. Não adiantou a campanha midiática de destruição da figura de Donald Trump. Ele foi eleito para vergonha e desespero de uma grande parte da população do mundial.

           Mas voltando ao Brasil, Lula só faz crescer nas pesquisas eleitorais, apesar dos vazamentos seletivos e da tentativa quase de diária de criminalização do ex-presidente.

Em uma primeira análise, ao ver essas duas figuras chego a pensar que esses dois estão a priori da razão, como diria Platão. Imagino os dois fenômenos da natureza sentados lado a lado em tronos reservados apenas aos deuses.

Mas, analisando friamente, é possível verificar racionalmente que esses fenômenos são antagonicamente convergentes. Um foi eleito porque a classe média foi alijada da retomada do crescimento econômico. O outro graças a retirada da pobreza extrema de milhões de pessoas, além da inserção de outros milhões nos patamares intermediários da pirâmide social e, em razão desses feitos, mantém sua popularidade.

Mais uma vez, mercado, artistas e intelectuais não têm influência sobre nenhuma dessas duas figuras. Mas onde encontrar explicação? Quem parece dar uma dica é Aristóteles, reiterado por Rousseau, Krugman e Piketty: se deseja um Estado politica e economicamente estável, aumente o número de pessoas que integrem o meio da pirâmide social. Mas além de assegurar o “mínimo existencial”, se desejar um Estado ético, defensor da dignidade da pessoa humana, invista em educar a classe média de modo que percebam quais são os valores que objetivam ao bem comum e não apenas ao interesse privado. Elas provavelmente elegerão figuras com padrões morais muito próximos aos seus e que lhes prometam a manutenção de seus status, tal como hoje.

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Patrícia Souza Ribeiro

Nascida em São Paulo em 1983. Leu seu primeiro livro aos 5 anos de idade, “A Bela Borboleta”, do Ziraldo, e não parou mais. Em razão do destino, quase virou engenheira. Desistiu, pensou em ser médica e como não sabia exatamente o que queria, foi estudar Direito no Largo do São Francisco. Saiu mais perdida do que entrou. Então seguiu a vida de trabalhadora concurseira entediada. Como jogador de futebol, descansa fazendo o que sabe: ler e escrever. Nessa ordem. Mestranda em Direito do Estado pela Faculdade de Direito da USP, funcionária pública, escritora amadora, curiosa e pesquisadora por natureza e necessidade.

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