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A Bem-Amada

Sobre a aparência e o comportamento de Safira era possível afirmar inúmeras coisas. Constantemente vigiada por olhares ferinos, julgada por pensamentos cruéis e (mal) falada por línguas bipartidas; ela escolhera viver de forma alheia. Havia atingido um nível de desprendimento tão elevado que simplesmente não se importava com a opinião dos outros. Vivia em constante estado de nirvana, levitando absoluta e iluminada sobre as cabeças da inveja alheia. É certo que desde pequena as teses de outrem não lhe causavam a menor preocupação. Ocupava-se dela própria, de suas alegrias e tristezas, vitórias e derrotas. Fizera um pacto consigo: jurara sempre se gostar, respeitar e defender. Pois afinal, o eu vem antes de todos.

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Convite para um Duelo

As gotas de chuva escorriam docilmente pelo vidro da janela. Entre lençóis, Malena abriu os olhos e por instantes permaneceu vagamente aflita, até se lembrar que era domingo. Um dia corriqueiro; um dia qualquer - gris e sem significado. Afinal, quando se trabalha, que sentido tem passar um dia inteiro de pernas para o ar?

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O Corredor

Sentiu o peito arder quando seus olhos se encontraram pela primeira vez. De súbito, levou a mão ao coração na tentativa de apartar o fogo que lhe invadia as entranhas. Tentou esboçar alguma reação, primeiro com os lábios, depois com os olhos. Mas permaneceu imóvel.

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Do Outro Lado do Rio

O dia se acabava naquele lugar ao sul do mundo. No céu, o dourado das luzes espraiadas se fundia ao horizonte de veludo carmim. Uma fragata flutuava suavemente pelas águas do porto. O mundo era calmo quando visto dali; aquela margem parecia ter seu próprio significado de tempo. Do outro lado do rio o sol ia se rendendo devagar ao horizonte.

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Sangue Quente – Final

Mais tarde, em seu refúgio, a pantera recostou a cabeça sobre o travesseiro. Imagens várias passaram por seus olhos dourados. Lembranças de veludo escarlate, paredes de metal, sussurros e prazer agonizante. Pousou a mão nos lábios e abriu um sorriso secreto. Olhou através da janela a tempestade que caía e logo adormeceu sob as luzes espraiadas que rasgavam o céu.

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Sangue Quente – Parte VI

Seus olhos se encontraram.  Fabrício devorou-a com um olhar primitivo, que percorreu desde os tornozelos rijos sobre o salto alto, as pernas longas e morenas, o quadril sob a saia justa, os seios salientes que se ofereciam através da fresta no decote da camisa ao pescoço esguio. Quando seus olhos alcançaram o rosto de Jade, deixou escapar um sorriso misterioso. Ela tinha os lábios cor de carmim entreabertos, o rosto corado e uma brutalidade no olhar que fez seu corpo arrepiar por inteiro.

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Sangue Quente (Parte V)

Precisamente às sete horas e cinco minutos da manhã o despertador começou a berrar. Jade rolou na cama e esticou o braço para alcança-lo, em cima do criado-mudo. Abriu os olhos ferozes e fez menção em arremessar na parede o pequeno, mas potente aparelho. Destravou o pino, dando fim ao seu tormento. Resignada, jogou as pernas para fora da cama e roboticamente levantou o corpo para então dar alguns poucos passos até o banheiro.  

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Inquietude

  • Publicado em Spectrus

As passagens, muitas vezes, são de difícil acesso e faz-se necessário abaixar-se, esgueirar-se, encolher-se, esticar-se, beber certas bebidinhas, comer certos cogumelos, inalar certos vapores, enfim, desdobrar-se para conseguir acessar os jardins floridos, os bosques de sândalo ou as cidades de ouro que tanto almejamos. Contudo, não é sempre que estamos dispostos a utilizar ferramentas, ou que dispomos delas. Às vezes os nossos acessos são real e definitivamente bloqueados e somos tomados por um sentimento de impotência.

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Inevitável

  • Publicado em Spectrus

Às vezes nos perdemos em labirintos de pedra, às vezes em labirintos floridos... Às vezes nos perdemos no deserto, às vezes em densas florestas ou abismos... Mas sempre nos perderemos, porque somente na perdição conseguimos nos encontrar. E é nesses encontros que o inevitável acontece.

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