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A Derradeira Felicidade - Caso IV: Meu Presente de Natal

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Faz vinte anos que tudo aconteceu. Como o tempo passa depressa! Parece ter sido ontem, pois ao me lembrar da história fico emocionado novamente.

Sou o único filho de um casal que saiu de seu país buscando melhores oportunidades em outro. Nossa vida sempre foi normal, de muito trabalho e esforço. Terminei o 2º grau e na falta de algo melhor acabei indo trabalhar no supermercado de uns chineses próximo à minha casa.

O trabalho era duro, os chefes mais ainda. Pouco entendia as ordens que me davam. Trabalhava seis dias por semana, ajudava a abrir o supermercado e ia embora às oito da noite. Minha rotina era descarregar, organizar e limpar as mercadorias. Como os donos pouco falavam o nosso idioma, eu também acumulava as funções de tradutor e mediador entre eles , clientes e fornecedores.

Lá pelo final dos anos noventa, pouco antes do começo do novo milênio a vida transcorria neste ritmo habitual, até que um dia me deparei com a propaganda do vídeo game da nova geração: Playstation 1. Meu mundo foi abaixo. Precisava ter um daqueles. Isso se tornou uma meta obstinada, quase como o ar que eu respiro.

Passei a me dedicar mais no trabalho, fiz horas extras. Deixei de sair aos finais de semana com os amigos. Levava comida de casa. Passei alguns meses juntando dinheiro. Quase no final daquele ano eu consegui. Tive que dar todo o meu dinheiro e aceitaram meu console Sega e alguns cartuchos como parte do pagamento.

Saí da loja com o meu presente de natal. Ia flutuando pela rua, rindo feito criança. Não conseguia me conter de tanta alegria. Mas a derradeira felicidade me chegou quando finalmente conectei o vídeo game na tv de casa e a tela inicial apareceu. Sentei no sofá e não quis conter as lágrimas que caíam – genuínas lágrimas de felicidade.

Entre soluços, me lembro como se fosse agora a apresentação do jogo Fifa 96. Naquela tarde-noite de sábado, joguei por quase 8 horas. Durante a semana, ia para casa correndo e jogava até meia noite.

Tinha olheiras e perdi peso, pois não comia quase nada. Mas mesmo assim, eu fui feliz – como nunca havia sido antes. Pela primeira vez de muitas que se seguiram em minha vida, tive o gosto de traçar um objetivo e com meu sangue e esforço conseguir alcança-lo.

Até hoje, quando a tela inicial aparece e a música daquele jogo toca fico emocionado. Aquela máquina fria, um simples vídeo game, fez parte dos melhores momentos da minha vida.

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La Plena Felicidad

Caso IV: Mi Regalo de Navidad

Hace veinte años que todo pasó. ¡Cómo pasa el tiempo! Parece haber sido ayer, pues al recordar la historia me quedo emocionado nuevamente.

Soy el único hijo de un matrimonio que salió de su país buscando mejores oportunidades en otro. Nuestra vida siempre fue normal, de mucho trabajo y esfuerzo. Terminé la secundaria y en la falta de algo mejor me fui a trabajar en el supermercado de unos chinos próximo a mi casa.

El trabajo era duro, los jefes más aún. Poco entendía las órdenes que me daban. Trabajaba seis días por semana, ayudaba abrir el supermercado y me iba a las ocho de la noche. Mi rutina era descargar, ordenar y limpiar la mercadería. Como los dueños poco hablaban nuestro idioma, yo también acumulaba las funciones de traductor y mediador entre ellos, clientes y proveedores.

En el final de los años noventa, poco antes del comienzo del nuevo milenio la vida transcurría en este ritmo habitual, hasta que un día me deparé con la propaganda del video game de la nueva generación: Playstation 1. Mi mundo se desmoronó. Necesitaba uno. Esto se tornó una meta obstinada, casi como el aire que respiro.

Pasé a dedicarme más al trabajo, hice horas extras. Dejé de salir los fines de semana con los amigos. Llevaba comida de casa. Pasé algunos meses juntando dinero. Casi al final de aquel año lo logré. Tuve que dar todo mi dinero, aceptaron mi consola Sega y algunos cartuchos como parte de pago.

Salí de la tienda con mi regalo de navidad. Iba flotando por la calle, riéndome como un niño. No me pude contener de tanta alegría. Pero la plena felicidad me llegó cuando finalmente conecté el video game en la tele de casa y la tela inicial apareció. Me senté en el sillón y no quise contener las lágrimas que caían – genuinas lágrimas de felicidad.

Entre sollozos, me acuerdo como si fuera ahora la presentación del juego Fifa 96. En aquella tarde/noche de sábado, jugué por casi 8 horas. Durante la semana, me iba a casa corriendo y jugaba hasta medianoche.

Tenía ojeras y perdí peso, pues no comía casi nada. Pero así mismo, fui feliz – como nunca había sido antes. Por la primera vez de muchas que se siguieron en mi vida, tuve el gusto de trazar un objetivo y con mi sangre y esfuerzo conseguir lograrlo.

Hasta hoy, cuando la tela inicial aparece y la canción de aquel juego toca me emociona. Aquella máquina fría, un simple video game hizo parte de los mejores momentos de mi vida.

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Fabiana de Gouvea Torres

É bacharela em Turismo e mineira de corpo e alma. Leitora fervorosa e apaixonada. Mãe, esposa e dona de casa zelosa, na hora do recreio viaja pelo mundo da literatura.

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