A+ A A-

A Derradeira Felicidade Caso XI: Projeção de Felicidade

Foto Divulgação Foto Divulgação

Na minha vida tudo aconteceu muito rápido. Aos dezoito anos me casei com o meu primeiro amor; aliás, meu primeiro tudo.  Foi um amor tão lindo e intenso que não dava para dizer que era muito cedo.

Aos dezenove anos fui mãe. Um menino lindo e saudável chegou para completar nossa união. O desafio foi grande, porém nos amávamos demais e acredito que o amor pode vencer qualquer barreira. A vida mal havia começado e já estava assim cheia de responsabilidades.

Os anos foram passando e ambos trabalhávamos e ansiávamos por crescimento e melhora. Meu marido era bancário e eu consegui um trabalho no setor financeiro de um hotel.

Quatro anos depois tivemos o nosso segundo filho, outro menino lindo e saudável. A vida era corrida, mas estava perfeita. Aos vinte e cinco anos já estava casada há sete e era mãe de dois filhos. Anos plenos e felizes, de vida em família repleta de amor.

Tudo transcorria em perfeita paz e harmonia, até que um dia meu marido adoeceu. Foi acometido por uma hepatite tipo c, o tratamento foi longo e tortuoso. Infelizmente não conseguiu se curar completamente e desenvolveu um câncer no fígado.  Nossa luta durou dois anos e ele não resistiu.

Aos trinta e seis anos de idade e dezoito de casada fiquei viúva. Na época meus filhos tinham dezessete e treze anos respectivamente. Precisei engolir e mascarar a dor, pois eles dependiam de mim. O meu momento e todos os meus sonhos foram abandonados. Virei pai, mãe e provedora da família, o que me exigiu dedicação integral.

Há anos vinha flertando com a possibilidade de fazer uma faculdade, meu antigo sonho de adolescência antes de ter virado uma adulta responsável tão cedo. A prioridade era encaminhar os filhos, manter o legado de honestidade, trabalho e união deixado pelo meu marido.

Ser pai e mãe de alguém é uma missão de amor, entrega, devoção, perseverança. Precisamos ser um modelo para nossos filhos, educando através de nossos exemplos. É preciso estar presente, de alguma forma. Mostrar o caminho e ensinar as boas escolhas. Tive de me multiplicar para colocar comida em casa, pagar as contas e ser a mãe que precisavam.

No mesmo ano em que perdi meu marido, meu filho mais velho estava terminando o segundo grau. Confesso que temi por seu futuro, cada criança ou adolescente tem uma maneira diferente de reagir à perda do pai. Mas ele que já era estudioso passou a se dedicar mais para o vestibular.

Havia escolhido o curso de Ciência da Computação, e devido à nossa situação financeira a prioridade total era passar em uma universidade pública. Consegui leva-lo a todas as provas de vestibular que prestou. Dei todo o meu apoio e inclusive o esperei para voltarmos juntos para casa enquanto comentávamos sobre os exames. Esperei também, angustiada pelo resultado. Do trabalho, ligava de hora em hora para saber se havia novidades.

Até que alguns dias depois, de noite após o jantar, fomos juntos olhar na internet se a lista já havia sido divulgada. Ele clicou no site da instituição e uma lista de nomes apareceu na tela.

Com o coração saindo pela boca começamos a buscar o nome em ordem alfabética. Quando avistei o primeiro nome e depois o sobrenome do meu filho, fui invadida pela derradeira felicidade. Não contive minhas lágrimas, beijos e abraços. O meu filho foi aprovado em uma das melhores universidades federais do país.

Depois disso, o mais novo também se formou e hoje é publicitário. Até eu me formei, sou psicóloga. Confesso que fiquei feliz ao ver meu nome na lista de aprovados. Porém, naquele momento de perda, ver a vitória de meu filho me deixou realizada, com a sensação de ter seguido o legado de meu marido e de que tudo daria certo.

Tenham força e fé, tudo vai dar certo.

La Plena Felicidad

Caso XI: Proyección de Felicidad

En mi vida todo pasó muy rápido. A los dieciocho años me casé con mi primer amor; o mejor, mi primer todo.  Fue un amor tan lindo e intenso que no daba para decir que era muy temprano.

A los diecinueve años fui madre. Un bebé lindo y saludable llegó para completar nuestra unión. El reto fue grande, sin embargo nos amábamos demasiado y creo que el amor puede vencer cualquier obstáculo. La vida recién había empezado y ya estaba llena de responsabilidades.

Los años fueron pasando y ambos trabajábamos y esperábamos por crecimiento y mejora. Mi marido en un banco y yo conseguí un trabajo en la parte financiera de un hotel.

Cuatro años después tuvimos nuestro segundo hijo, otro bebé lindo y saludable. La vida era agitada, pero estaba perfecta. A los veinticinco años ya estaba casada hacia siete y era madre de dos hijos. Años plenos y felices, de vida en familia repleta de amor.

Todo transcurría en perfecta paz y armonía, hasta que un día mi marido se enfermó. Fue diagnosticado con hepatitis tipo c, el tratamiento fue largo y tortuoso. Infelizmente no logró curarse completamente y desarrolló un cáncer  en el hígado.  Nuestra lucha duró dos años y él no aguantó.

A los treinta y seis años de edad y dieciocho de casada me quedé viuda. En ese momento mis hijos tenían diecisiete y trece años respectivamente. Tuve que tragar y disfrazar el dolor, pues ellos dependían de mí. Mi momento y todos mis sueños fueron abandonados. Me hice padre, madre y proveedora de la familia, que me exigió dedicación total.

Hace años venia mirando la posibilidad de hacer una universidad, mi antiguo sueño de adolescencia antes de haberme tornado una adulta responsable tan temprano. La prioridad era encaminar los hijos, mantener el legado de honestidad, trabajo y unión dejado por mi marido.

Ser padre y madre de alguien es una misión de amor, entrega, devoción, perseverancia. Tenemos que ser un modelo para nuestros hijos, educando través de nuestros ejemplos. Hay que estar presente, de alguna manera. Mostrar el camino y enseñar las buenas elecciones. Tuve que multiplicarme para poner comida en casa, pagar las cuentas y ser la madre que necesitaban.

En el mismo año en que perdí mi marido, mi hijo mayor estaba terminando la secundaria. Confieso que temí por su futuro, cada niño o adolescente tiene una manera diferente de reaccionar a la pérdida del padre. Él que ya era estudioso pasó a dedicarse más para el examen de ingreso a la universidad.

Había elegido el curso de Ingeniero de Sistemas, y debido a nuestra situación financiera la prioridad total era ingresar en una universidad pública. Logré llevarlo a rendir todos los exámenes. Di todo mi apoyo e incluso lo esperé para volver juntos a casa mientras comentábamos sobre los exámenes. Esperé también, angustiada por el resultado. Desde el trabajo, llamaba a cada rato para saber si había novedades.

Hasta que algunos días después, de noche después de cenar, fuimos juntos mirar en internet si el listado ya había sido divulgado. Él cliqueó en sitio de la institución y un listado de nombres apareció en la pantalla.

Con el corazón en la boca empezamos a buscar su nombre por orden alfabético. Cuando avisté su primer nombre y después el apellido, fui invadida por la plena felicidad. No aguanté mis lágrimas, besos y abrazos. Mi hijo fue aprobado en una de las mejores universidades públicas del país.

Años después, el menor también se recibió y hoy es publicitario. Hasta yo me recibí, soy psicóloga. Confieso que  quedé feliz al ver mi nombre en el listado de aprobados. No obstante, en aquel momento de perdida, ver la victoria de mi hijo me dejó exitosa, con la sensación de haber seguido el legado de mi marido y que todo estaría bien.

Tengan fuerza y fe, todo estará bien.

Avalie este item
(0 votos)
Fabiana de Gouvea Torres

É bacharela em Turismo e mineira de corpo e alma. Leitora fervorosa e apaixonada. Mãe, esposa e dona de casa zelosa, na hora do recreio viaja pelo mundo da literatura.

voltar ao topo