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A Derradeira Felicidade Caso XIII: O Brilho do Seu Olhar

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Alguma vez na vida você se sentiu tão feliz que teve medo? Eu sim.

Neste questionamento sobre a Felicidade, a maternidade foi um tema recorrente. Hoje vou contar minha história, minha Derradeira Felicidade. Para ser mãe é preciso dedicação e muito amor. Não importa se esse bebê, criança ou adolescente saiu do seu ventre. De alguma maneira ele chegou a este mundo e foi recebido por você, a Mãe.

Quando senti o ventre mexer pela primeira vez fiquei em estado de graça. Com o passar das semanas, criamos uma conexão inexplicável. Posso afirmar que parecia até telepatia. Virei a criatura mais indulgente da face da Terra. Pra dizer a verdade mesmo, me tornei outra pessoa.

Do sexto mês de gestação em diante, sofri uma metamorfose. Como uma cigarra que abandona o antigo invólucro para ressurgir em força e grandeza. O corpo se distendeu e uma auréola ascendeu sobre minha cabeça. Não acredito que Nossa Senhora se tornou santa por gerar um filho enquanto era virgem, mas sim por haver reunido e devotado todas as boas energias que tinha dentro de si para conceber sua cria.

As quarenta semanas se completaram e nada aconteceu. Orientada pela médica, fui ao hospital no dia marcado para uma avaliação. Pediram que retornasse no dia seguinte em jejum para que uma cesárea fosse feita. Cheguei cedo no outro dia e entrei na sala de parto. Outras sete mulheres aguardavam na mesma situação.

Quando finalmente chamaram meu nome, senti a derradeira felicidade a me invadir. Vestindo uma fina camisolinha de hospital, caminhei quinze passos até a sala de parto. Abraçando o meu ventre enorme, senti as lágrimas brotarem e não conseguia conter o sorriso que de tão forte, me doía o rosto. Deitei na maca e ouvi as instruções do anestesista. Confesso que não senti dor nenhuma, apenas o contato do bisturi passando em minha pele e um calor escorrendo pelas pernas. Fui sacudida pela obstetra e da quinta chacoalhada o meu bebê nasceu. “É enorme” disse a doutora enquanto o segurava. Logo ouvi um choro forte, seguido de gargalhadas, pois quase urinou no avental da médica.

A primeira vez que o vi foi na balança que ficava ao lado direito da maca. Rapidamente, limparam, aspiraram, empacotaram e trouxeram a criança, que foi colocada sobre meu peito. Jamais esquecerei a primeira vez que nos olhamos. Era como um velho amigo, o brilho do seu olhar invadiu minha alma. Ao passar nove meses dentro de mim, me conheceu por completo. Foi o momento mais bonito e feliz da minha vida, que de repente foi interrompido pela enfermeira que enquanto o tirava de meus braços disse efusivamente:

-Parabéns Mãezinha!

Recordo de haver contraído todos os músculos do rosto naquele momento. Mãe, eu? Aquela palavra soou como uma granada em meus ouvidos. Todos se foram e fiquei sozinha em cima da maca naquela sala fria. Alguns minutos depois veio outra enfermeira para terminar o serviço, limpar a sutura, colocar um curativo e me encaminhar para a sala do pós-operatório.

Tinha a cabeça mareada e a cada vez que me chamavam de Mãe era como se me dessem uma ferroada. Passei duas horas na outra sala até poder ir para o quarto. Nesse tempo, um filme passou por minha cabeça e confesso que dentro da minha plena felicidade tive medo.

Quando cheguei ao quarto, meu bebê (era estranho dizer meu filho no começo) estava me esperando. Estava bem diferente daquele da sala de parto e era mais lindo do que imaginei. Quando o segurei, o medo se transformou em pavor. Temia por não conseguir ser a mãe de que precisava. Inexperiente, mal sabia segurá-lo corretamente. Tinha medo de errar.    

Fomos para casa e demorou um bom tempo até que ganhasse confiança. Ouvia com paciência os conselhos que todas as mães do mundo me davam. 

Confesso que ainda tenho medo, mas não demonstro. Preciso aceitar que ele enfrente suas próprias batalhas e estar preparada para acolhê-lo na vitória e na derrota, na alegria e na tristeza.

Muitas de nós não somos mães, nos tornamos uma. Percebi que não dá para ser perfeita. No meu papel de mãe sou a santa benevolente, mas também sou bruxa, megera. Sou dupla face, tenho ternura e tirania. Sei abraçar e também dizer não. Sou a leoa que sabe rugir e afagar, proteger e deixar voar. Por meu filho dou meu sangue, minha vida. Sou Mãe, consigo ser e sentir tudo ao mesmo tempo: alegria e angústia, medo e felicidade. 

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La Plena Felicidad

Caso XIII: El Brillo de Tu Mirada

Alguna vez en tu vida te sentiste tan feliz que tuviste miedo? Yo sí.

En estos cuestionamientos sobre la Felicidad, la maternidad fue un tema recurrente. Hoy voy a contar mi historia, mi plena felicidad. Para ser madre necesitas dedicación y mucho amor. No interesa si ese bebé, niño o adolescente salió de tu vientre. De alguna manera llegó a este mundo y fue recibido por ti, la Madre.

Cuando sentí el vientre moviendo por primera vez me quedé encantada. Pasadas algunas semanas, creamos una conexión inexplicable. Puedo afirmar que parecía telepatía. Me torné la criatura más indulgente de la faz de la Tierra. Para decir la verdad, me torné otra persona.

Del sexto mes de gestación adelante, sufrí una metamorfosis. Como una chicharra que abandona el antiguo capullo para resurgir en fuerza y grandeza El cuerpo se estiró y una aureola ascendió sobre mi cabeza. No creo que la Virgen se tornó santa por generar un hijo mientras era virgen, pero si por haber reunido y devotado todas las buenas energías que tenía dentro suya para concebir su hijo.

Las cuarentas semanas se completaron y nada pasó. Orientada por la doctora, fui al hospital en el día agendado para una evaluación. Pidieron que regresara al día siguiente en ayunas para que una cesárea fuera realizada. Llegué temprano al otro día y entré a la sala de parto. Otras siete mujeres aguardaban en la misma situación.

Cuando finalmente llamaron mi nombre, sentí la plena felicidad invadiéndome. Vistiendo una fina bata de hospital, caminé quince pasos hasta la sala de parto. Abrazando mi vientre enorme, sentí las lágrimas brotaren y no conseguía contener la sonrisa que de tan fuerte, me dolía el rostro. Me acosté  en la camilla y oí las instrucciones del anestesista. Confieso que no sentí ningún dolor, apenas el contacto del bisturí pasando en mi piel y un calor escurriendo por las piernas. Fui sacudida por la obstetra y del quinto golpe mi bebé nació. “Es enorme” dijo la doctora mientras lo alzaba. Luego oí un llanto fuerte, seguido de carcajadas, pues casi orinó en el guardapolvo de la médica.

La primera vez que lo vi fue en la báscula que estaba al lado derecho de la camilla. Rápidamente, limpiaron, aspiraron,  envolvieron y  trajeron al niño, que fue colocado sobre mi pecho. Jamás me olvidaré la primera vez que nos miramos. Era como un viejo amigo, el brillo de su mirada invadió mi alma. Al pasar nueve meses dentro mía me conoció por completo. Fue el momento más bonito y feliz de mi vida, que de repente fue interrumpido por la enfermera que mientras lo sacaba de mis brazos dijo efusivamente:

-ַ¡Felicitaciones Mamá!

Recuerdo de haber contraído todos los músculos del rostro en aquel momento. Madre, yo? Aquella palabra sonó como una granada en mis oídos. Todos se retiraron y me quedé sola arriba de la camilla en aquella sala fría. Algunos minutos después llego otra enfermera para terminar el trabajo, limpiar la sutura y encaminarme para la sala del post-operatorio.

Tenía la cabeza mareada y a cada vez que me llamaban de Madre era como si me dieran un pinchazo. Las siguientes dos horas  estuve en la  sala hasta poder ir a la habitación. Mientras tanto, una película pasó por mi cabeza y confieso que dentro de mi plena felicidad tuve miedo.

Cuando llegué a la habitación, mi bebé (era raro decir mi hijo al comienzo) me estaba esperando. Estaba bien diferente de aquél de la sala de parto y era más lindo de lo que imaginé. Cuando lo alcé, el miedo se transformó en desespero. Temía por no conseguir ser la madre de que necesitaba. Sin experiencia, no sabía alzarlo correctamente. Tenía miedo de errar.   

Fuimos a casa y tardó un buen tiempo hasta ganar confianza. Escuchaba con paciencia los consejos que todas las madres del mundo me daban. 

Confieso que aún tengo miedo, pero no lo demuestro. Necesito aceptar que él enfrente sus propias batallas y estar preparada para acompañarlo en la vitoria y en la derrota, en la alegría y en la tristeza. 

Muchas de nosotras no somos madres, nos tornamos una. Me di cuenta que no es posible ser perfecta. En mi papel de madre soy la santa benevolente, pero también soy bruja, arpía. Soy doble faceta, tengo ternura y tiranía. Sé abrazar y también decir no. Soy la leona que sabe rugir y  acariciar; proteger y dejar volar. Por mi hijo doy mi sangre y mi vida. Soy Madre, consigo ser y sentir todo al mismo tiempo: alegría y angustia, miedo y felicidad.  

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Fabiana de Gouvea Torres

É bacharela em Turismo e mineira de corpo e alma. Leitora fervorosa e apaixonada. Mãe, esposa e dona de casa zelosa, na hora do recreio viaja pelo mundo da literatura.

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