A+ A A-

Sangue Quente (Parte III)

Foto Divulgação Foto Divulgação

Ele fez questão de pagar pela corrida, desceu primeiro e ofereceu sua mão para ajuda-la a sair do veículo. Pediu para que o acompanhasse e cumprimentou o porteiro ao passar. Entraram no elevador e imediatamente digitou um código de acesso. Feito isso, voltou-se para ela e abriu um sorriso lascivo, repleto de mistério.

 

Quando chegaram ao décimo andar, as portas se abriram diretamente para um hall de entrada. Gentilmente ele colocou a mão em suas costas, para que entrasse primeiro e lhe deu as boas vindas. O apartamento tinha grandes proporções, com ambientes integrados e decoração minimalista. Semelhante espaço era ocupado por apenas uma pessoa. Conduziu-a até a outra extremidade, onde ficava o bar.

-O que deseja tomar?

-Deixarei ao seu critério. Vou lhe acompanhar.

Tirou da prateleira uma garrafa de autêntico uísque irlandês e serviu em dois copos de cristal, sem gelo. Lançando um olhar abrasador, pediu um brinde aos prazeres da vida. Tomaram um pouco da bebida em silêncio e instantaneamente começaram a transpirar.

-Hoje você é minha convidada, sinta-se à vontade... Ainda não sei seu nome.

-Muito obrigada. Sou Jade.

-Que lindo nome, combina com você. Sou Fabrício.

Pediu licença e foi até o outro cômodo regular o ar condicionado. Quando retornou, estava sem o paletó e tinha dois botões da camisa abertos.

-Conte-me mais sobre você, Jade. O que faz?

-Sou psicóloga, trabalho como recrutadora em uma agência de empregos.

-Combina com você. Sou advogado tributarista, sócio em um escritório. De oito às seis sou só um careta de terno e gravata. Mas veja tudo o que meu sucesso me proporcionou: este apartamento vale milhões, só uso ternos italianos, viajo de primeira classe, dirijo o carro esportivo dos meus sonhos e termino o ano com um saldo de seis dígitos em minha conta.

Jade dissimulou um olhar impressionado. Por dentro, secretamente o batizou de advogado do diabo. Não compreendia o motivo que levava os homens a fazerem um inventário de todos os seus bens de maneira ostensiva para impressionar uma mulher na hora da conquista. Isso sempre a fazia se sentir como a própria receita federal recebendo uma declaração de imposto de renda.

Seguiu calada e tomou mais um pouco de sua bebida. Talvez sua indiferença o tenha feito mudar de assunto e pedir se podia colocar uma música. Tascou logo uma canção dos Rolling Stones e estendeu sua mão até ela, convidando-a para dançar. Ela se levantou e segurou sua mão. Dançaram a certa distância até que ele a puxou para si, envolvendo sua cintura e colando a testa na dela; olhando fundo nos olhos. Sentiam o alento um do outro e tinham os corpos colados, movendo-se de modo ritmado. Então, ela fechou os olhos e fez menção de beija-lo, mas logo recuou o rosto para a posição anterior. Tal ato o deixou enfurecido de prazer, provocando uma reação imediata de sua parte. Apertou mais forte sua cintura e enfiou a língua em sua boca. Foi correspondido pela língua felina que lutou com a sua por instantes intermináveis. Deslizou os dedos pelas coxas afora, até chegar debaixo da roupa. Surpreso, interrompeu o beijo e a encarou ferozmente ao perceber que apenas o vestido cobria sua nudez. Em iminente arrebatamento, alçou-a e prensou seu corpo contra a parede. A pantera o encarou com o olhar escuro e através dos lábios molhados confessou seu desejo.

-Me leva para a cama.

A máquina de músculos bem torneados a levou nos braços até o quarto. Pousou a fera sobre a cama em estilo japonês e tirou a roupa, revelando a magnificência de seu corpo. Ela se virou de costas e pediu para que lhe desabotoasse o vestido. Agiu devagar, beijando-a do calcanhar à cintura, por baixo do tecido. Então abriu o zíper e puxou a roupa para cima, descortinando a sensualidade de sua pele morena. Tornou a se virar de frente para ele, que envolveu sua cintura e encarou seus olhos de pantera. Em um movimento súbito, alinhou o quadril com o dela e penetrou fundo sua carne quente. Jade arqueou a cabeça de prazer e envolveu com as pernas sua cintura. Tornou a encara-lo e juntos estabeleceram um ritmo louco, alucinante, até o momento final em que atingiram o éden simultaneamente.  

Exaustos, permaneceram na mesma posição por alguns instantes. Fabrício segurou seu rosto com as duas mãos e colou a testa na dela. Ofegantes, se encararam e trocaram um sorriso de prazer. Jade saiu de dentro dele e deixou o corpo suado cair na cama. Em seguida ele fez o mesmo, permitiu-se deitar ao seu lado e saborear algum resquício de plenitude. Logo adormeceram.

Continua... 

Avalie este item
(2 votos)
Fabiana de Gouvea Torres

É bacharela em Turismo e mineira de corpo e alma. Leitora fervorosa e apaixonada. Mãe, esposa e dona de casa zelosa, na hora do recreio viaja pelo mundo da literatura.

voltar ao topo