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Cópia de Sangue Quente (Parte IV)

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A pantera acordou de um sobressalto. Olhou para o lado e encontrou a cama vazia. Passou a mão no rosto, se enroscou no lençol e foi procurar Fabrício. Caminhou pelo corredor e ouviu sua voz. Encontrou-o na sala; nu enquanto falava ao telefone – conversa de trabalho.

 

Pegou o copo que havia sido abandonado e retomou sua bebida, desta vez sentada na poltrona em couro branco. Contemplou o belo homem, que a poucos metros de distância, ofereceu um sorriso e fez sinal para que esperasse um momento. “Com uma vista como essa poderia esperar a noite inteira”, pensou. Examinou-o dos pés à cabeça e não encontrou nenhum defeito. Era um magnífico exemplar de sua espécie, a dos lobos da estepe. Representava uma figura bem torneada e trabalhada em seus pequeníssimos detalhes, de olhar predatório e voz calculada. Tinha o rosto marcante, meio selvagem, alta estatura, ombros largos e bem definidos. Transmitia de fato força física e apesar de bem educado, expelia um caráter indócil.

Terminou o telefonema e veio em sua direção, movendo a massa de músculos de maneira primorosa. Parou diante dela com um sorriso e ofereceu sua mão. Jade pousou o copo na pequena mesa e ficou em pé. Uma de suas mãos segurava a dele enquanto a outra mantinha o lençol cobrindo o corpo. Fabrício pediu desculpas pelo aborrecimento causado por uma ligação de trabalho no meio da noite e perguntou se ela se sentia bem. Jade respondeu com polidez, sem lhe tirar os olhos. Então, envolveu sua cintura e beijou seus lábios.

-Deixe cair esse lençol. Quero ver você.

Jade abriu os braços, deixando o tecido cair e deu um giro completo, revelando detalhes de seu corpo moreno. Tornaram a se beijar, de maneira voluptuosa.

-Venha, vamos tomar um banho.

Conduziu-a pelo corredor até o banheiro todo decorado em diferentes tons de cinza. Preparou a ducha e deu-lhe a mão para que entrassem juntos. Debaixo do inebriante fluxo de água morna se beijaram com desejo, saboreando um ao outro. Novamente, Jade foi alçada e apoiada na bancada de granito. Fabrício a beijou por inteiro e ao tocar seus seios molhados sucumbiu ao prazer agudo que sentia. Entrou fundo em seu corpo obsequioso, ao mesmo tempo participando e assistindo ao deleite colossal da carne fremente. O desfecho foi intenso, Jade agarrou seus cabelos com força e seu grito de prazer ecoou pelas paredes cinza. Em seguida, se banharam juntos e exaustos foram até a cama descansar.   

Depois de alguns minutos, Fabrício adormeceu. Jade se levantou e foi até a cozinha, procurar algo para comer. Abriu a geladeira e viu apenas frutas, folhas e iogurte. Procurou no armário e encontrou uma barra de cereais. “Isso que é ser saudável”, pensou. Olhou com curiosidade o ambiente ao seu redor, que mais parecia um laboratório. Chegou à conclusão de que o fogão nunca havia sido usado. Na sala, olhou as fotos com recordações de momentos felizes: família, viagens, conquistas. Passou pelo corredor e entrou no quarto. Com cuidado, pegou suas coisas sem fazer ruído, pousou a mão nos lábios e jogou um beijo para Fabrício que dormia profundamente. Voltou para a sala, onde se vestiu rapidamente e cruzando a entrada, alcançou o elevador.

Quando chegou à entrada do prédio, ouviu as portas se fecharem atrás de si. Enfiou a mão na pequena bolsa para pegar o celular e não achou nada. Então se deu conta de que havia deixado o aparelho lá em cima, no apartamento de Fabrício. Tentou se controlar, mas não conseguiu evitar o olhar colérico que lançou ao porteiro.

-Boa noite. Acabo de esquecer meu celular no décimo andar. Pode por favor pedir ao Sr. Fabrício para deixar o aparelho na portaria? Mais tarde passo para buscar.

-Boa noite. Certamente, Senhorita.

-Obrigada. Pode também me chamar um táxi, por favor?

Pouco depois estava em seu refúgio, ainda zangada consigo por haver esquecido o telefone. Escovou os dentes, vestiu o pijama e se deitou para descansar por um par de horas. Despistou os motivos de sua ira e deixou-se afundar sob os lençóis. Fechou os olhos de pantera e adormeceu suavemente.

Continua...

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Fabiana de Gouvea Torres

É bacharela em Turismo e mineira de corpo e alma. Leitora fervorosa e apaixonada. Mãe, esposa e dona de casa zelosa, na hora do recreio viaja pelo mundo da literatura.

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