A+ A A-

Sangue Quente – Parte VI

Foto Divulgação Foto Divulgação

Seus olhos se encontraram.  Fabrício devorou-a com um olhar primitivo, que percorreu desde os tornozelos rijos sobre o salto alto, as pernas longas e morenas, o quadril sob a saia justa, os seios salientes que se ofereciam através da fresta no decote da camisa ao pescoço esguio. Quando seus olhos alcançaram o rosto de Jade, deixou escapar um sorriso misterioso. Ela tinha os lábios cor de carmim entreabertos, o rosto corado e uma brutalidade no olhar que fez seu corpo arrepiar por inteiro.

 

Jade deu um passo adiante para sair, mas foi surpreendida por Fabrício que entrou e digitou um código para reter o elevador no décimo andar. Então, deu um passo para trás e se encostou ao espelho. Nesse instante, Fabrício chegou até ela de maneira feroz. Comprimiu seu corpo e a beijou, enlouquecido. Roçou o quadril contra o dela, mostrando todo o seu poder. Passou as mãos por seus seios, pelo pescoço e os lábios molhados. Segurou sua cintura e tornou a meter a língua em sua boca. Puxou para cima sua saia, levantou-a e ajustou seu quadril contra o dela. Correu os dedos por dentro da camisa, explorando seu corpo eriçado em puro desejo. Sua mão passou pelos ombros, pescoço e chegou ao cabelo. Enrolou os dedos na longa trança e puxou com firmeza. Isso a fez arquear para trás e apertar seu quadril contra o dele. Uma enorme angústia começou a crescer dentro dos dois. Foi então que Fabrício segurou seu quadril com uma das mãos e com a outra afastou o fino tecido que impedia seu caminho, cravando seu corpo dentro dela. Moveram-se em um ritmo alucinado, trocando sussurros impronunciáveis para finalmente flutuarem através do vazio.  

Olhou para Jade e abriu um sorriso radiante. Ainda dentro dela, deu-lhe um abraço apertado e um beijo longo, para depois descer suas pernas com cuidado. Digitou o código para destravar o elevador e segurando sua mão, conduziu-a pela entrada do apartamento. Quando as portas se fecharam, envolveu sua cintura e tornou a lhe beijar.

-Estou feliz porque você está aqui.

-Não sei como farei para passar pelo porteiro quando for embora.

-Não se preocupe, quando ele me ligou para avisar que você havia chegado, combinei tudo. Falei que ia travar o elevador e pedi para desligar a câmera enquanto isso. Fique tranquila.

-Obrigada, ainda bem.

-Vou tomar um banho, você vem?

Um pouco hesitante, porém ainda muito acalorada, Jade aceitou o convite. Passou novamente pela enorme sala com decoração minimalista, atravessou o corredor e chegou ao banheiro em tons sobrepostos de cinza. Fabrício se despiu primeiro e foi preparar a temperatura da água.

Através do espelho, seus olhos dourados admiraram o corpo de seu amante. Nua em pelo, a pantera foi atrás de sua presa-algoz, entrando debaixo do jato de água morna. Pegou o sabonete e lavou cada pedaço de seu torso musculoso. Depois, Fabrício agarrou o sabonete e fez o mesmo com ela, se demorando nas curvas de seu corpo. A pantera o olhou com os olhos escuros, era toda desejo novamente. O lobo correspondeu ao seu anseio e foi de encontro à pele sedenta. Mais uma vez invadiu sua carne fremente e juntos alcançaram o céu estrelado.

Exaustos, permaneceram sob a ducha por certo tempo. Fabrício saiu antes e enquanto se secava admirava a perfeição de Jade. A pele morena e o corpo curvilíneo o deixaram hipnotizado. Os cabelos molhados roçavam a cintura enquanto as mãos ensaboadas corriam de cima embaixo, das coxas aos seios empinados. Então, fechou os olhos e abriu um sorriso largo, orgulhoso de si mesmo por ter semelhante mulher ao lado.

Foi até a cozinha e colocou o jantar no forno. Buscou no quarto um roupão para si mesmo e outro para Jade. Retornou ao banheiro e encontrou-a saindo da ducha. Pegou a toalha e secou seu corpo com carinho. Ajudou Jade a vestir o roupão e segurando sua mão, conduziu-a até a cozinha para que comessem.

-Quero que fique esta noite comigo.

-Não posso Fabrício. Deixei meu carro na estação, amanhã tenho que trabalhar.

-Não se preocupe, levo você ao trabalho.

-De forma alguma, além do mais vim até aqui para buscar o celular.

-Ainda bem que o esqueceu aqui. Se não fosse por isso, acho que não te veria de novo. Aliás, como não sabia que horas viria, cancelei meus compromissos no escritório e fiquei aqui o dia inteiro esperando por você. Mereço um troféu não acha?

-Desculpe, não queria causar transtorno.

-De maneira alguma, estou muito feliz por te ver de novo. Sentir o cheiro da sua pele, a energia do seu corpo. Você é incrível. E lindíssima.

-Obrigada, também estou feliz em ver você.

Jantaram algo leve e conversaram bastante sobre trabalho, perspectivas e amenidades. Fabrício insistiu para que Jade dormisse em sua casa, mas depois do jantar ela pediu licença e foi se trocar. Apareceu na cozinha pronta para ir embora.

-Eu agradeço, mas meu carro está na rua e a estação de trem vai fechar logo.

-Já que o de hoje é inegociável, quero te convidar para jantar. Assim, como um encontro, você aceita?

-Sim, aceito.

-Tenho que viajar a trabalho amanhã, estarei fora por cinco dias. Pode ser na próxima quarta-feira?

-Combinado. Diga o seu número, vou te ligar e assim meu telefone fica registrado.

A contragosto de Fabrício, se despediram com um beijo acalorado em frente ao elevador. Quando as portas fecharam, Jade se olhou no espelho e rapidamente vieram à tona lembranças cálidas que escorreram pelas paredes de metal. De repente as portas se abriram e foi tirada de seu devaneio. Aprumou o corpo, cumprimentou o porteiro e saiu caminhando feito moça pantera noite adentro.

Continua...

Avalie este item
(1 Voto)
Fabiana de Gouvea Torres

É bacharela em Turismo e mineira de corpo e alma. Leitora fervorosa e apaixonada. Mãe, esposa e dona de casa zelosa, na hora do recreio viaja pelo mundo da literatura.

voltar ao topo