A+ A A-

É preciso imaginar Sísifo eterno

Chicago, 31 de maio de 2015

 

O dostoievskiano Albert Camus rola a pedra d’O mito de Sísifo (1942) com a seguinte lápide inaugural: “Só há apenas um problema filosófico verdadeiramente sério: o suicídio”.

Para além de quaisquer legitimações vãs da vida-a-ser-ceifada-pela-morte – contra, portanto, o belo (e idílico) aforismo de Camus de que “é preciso imaginar Sísifo feliz” –, imaginei a resposta que o homem ridículo, personagem dostoievskiana de O sonho de um homem ridículo (1877), daria ao niilismo (parcial) de Camus:

- Só há apenas uma ação niilista verdadeiramente séria: o suicídio.

Após a cicatrização de seu espírito por meio do sonho escatológico e redentor que leva o homem ridículo do penhasco do suicídio à tangibilidade da utopia e do sentido, assim falou o herói dostoievskiano:

- Só há apenas um problema existencial verdadeiramente sério: a eternidade.

Avalie este item
(4 votos)
Flávio Ricardo Vassoler

Flávio Ricardo Vassoler, escritor e professor, é mestre e doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada pela FFLCH-USP, com estágio doutoral junto à Northwestern University (EUA). É autor das obras literárias Tiro de Misericórdia (nVersos, 2014) e O Evangelho segundo Talião (nVersos, 2013) e organizador do livro de ensaios Fiódor Dostoiévski e Ingmar Bergman: O niilismo da modernidade (Intermeios, 2012). Periodicamente, atualiza o Portal Heráclito, www.portalheraclito.com.br, página em que posta fragmentos de seus trabalhos literários, os programas do Espaço Heráclito e fotonarrativas de suas viagens pelo mundo.

Mais recentes de Flávio Ricardo Vassoler

voltar ao topo