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Dança das Horas

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Nas horas que se vão

Fica a terra, germina o grão.

Gira o moinho para triturar a ilação

Do que há de brotar no chão.

 

Num bailado estranho

Pessoas se comportam como um rebanho

A percorrer um pasto enorme e sem tamanho

Procurando insanamente livrar-se de tudo que é tacanho.

 

No vai e vem

Os passos se mostram aquém

Da coreografia que deveriam fazer e ninguém

Os entende ainda muito bem.

 

No vem e vai

Um bailarino descuidado cai

Outro desiste e sai

Para poder fechar os olhos àquilo que se esvai.

 

Ao fim da surda melodia

Comemora-se a efêmera alforria

E em euforia

Dançam desenvoltos com uma macabra alegria.

 

Mas no badalar da hora derradeira

Ressoam os sinos em uma brincadeira

Onde a sensação de impotência vem a ser companheira

De ilusões que fazem da melodia uma estúpida barulheira.

 

Nesse instante perde-se o equilíbrio que já era instável

            De dois extremos constituintes de algo durável,

Transformado no pó do destino improrrogável

Que sela no tempo um recorte que passará a ser inalcansável.

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Vivi Cabrera

É formada em Jornalismo pela FIAM-FAAM, cursa licenciatura de Geografia e Pós-Graduação em Docência do Ensino Superior na Faculdade Campos Salles. É autora do livro Flores do Asfalto – histórias de duas favelas paulistanas, pela Editora Futurama e arrisca crônicas, contos e poesias de vez em quando.

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