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Inconteste

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O Brasil saiu do trilho.

Para o boi aumentaram o pasto,

Para as galinhas melhoraram o milho

E para o povo sobraram promessas sem lastro.

 

 

Manobraram a justiça

Para voltar a lucrar com desgraça alheia

E a consciência deles nem enguiça

Por fazer mutreta tão feia.

 

Na tática de dividir para conquistar,

Nasceram torcidas que no combate

 De opiniões e ideias opostas que tentam apresentar,

Se agridem e se negam ao lúcido debate.

 

Compram brigas que nem deles são.

Defendem a morte da CLT, terceirização do trabalho,

O alívio na vida do Patrão.

São valiosas cartas do senhorio em seu baralho.

 

Para chegar nesse ponto que se chegou

O cidadão virou cobaia

Da Tv financiada que os hipnotizou

Para que ninguém atrapalhasse e que ficasse cada um na sua baia.

 

No jornal caído no jardim

Agoniza inconformada a Verdade

Que enxerga a desinformação de sua ausência ser o estopim

Das trevas escravizantes impressas nas tintas da artificialidade.

 

O que questiona é criminalizado

E abafadas por um igual são suas vozes.

O vil que concorda com o crime é santificado

E o corpo da pátria segue com múltiplas necroses.

 

Questionar é respeito

Porque abre caminho para a franca conversa.

É aceitar o outro de todo jeito,

É agregar para compreender o que o resto dispersa.

 

Porque só fez cansar

O constante conflito

Entre irmãos que nutrem ódio quando deviam se amar,

Que só vêem o maldito no lugar do que existe de bendito.

 

Rechassem as feras travestidas de benfeitores

Para que os braços possam aninhar os demais

Multiplicando amores

E nos chamando novamente à condição de racionais.

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Vivi Cabrera

É formada em Jornalismo pela FIAM-FAAM, cursa licenciatura de Geografia e Pós-Graduação em Docência do Ensino Superior na Faculdade Campos Salles. É autora do livro Flores do Asfalto – histórias de duas favelas paulistanas, pela Editora Futurama e arrisca crônicas, contos e poesias de vez em quando.

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