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Cara a Cara

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Meia noite no relógio a badalar

E um reflexo no espelho a chamar

Pleno da luz do luar

Mostrando coisas que o sol tentou ofuscar.

 

 

Com olhos de ver além

Observei não o mal ou o bem,

Mas sim a essência que tem

Como seus outros ângulos também.

 

Os ponteiros a caminhar

Marcando o tempo a ordenar

Percepções aos milhares para analisar

Com nenhuma conclusão a se chegar.

 

Contorcido pela dor

O semblante impresso era o ator

A encenar circunstâncias de horror,

A desnudar o ódio, a tudo de ruim expor.

 

Era uma lança a me atravessar

No mais profundo de mim a se revirar

Caçando espadas para de vez aniquilar

O que me cegava, o que insistia em me barrar.

 

Era eu presa à superfície plana do desespero.

Pedindo socorro, negando meu exagero.

Saturada de tudo, carente de tempero,

Olhando fixamente para meu interno entrevero.

 

Com ciclos a completar,

Voltas e mais voltas dos ponteiros milimétricos a andar,

As ideias pululam com uma velocidade de assustar

Garantindo que delas já eu não possa me apartar.

 

No abismo em minha mão

Deixo os sonhos no rés do chão,

Esperando ilogicamente que a agreste realidade da amplidão,

Pois é sonhando que me reconheço na colheita da satisfação.

 

A alma agora quer abarcar

Os espectros de mim mesma que insistem em se multiplicar

Sabendo que não passam de ilusões a manipular

Aspectos deste marionete que gente de verdade quer virar.

 

Chorei apenas por querer

Que aquela outra dimensão atravessasse para ter

Uma fusão possível que viesse a ser

Solução aos problemas fora e dentro do espelho que teimam em acontecer.

 

Por mais que me pusesse a raciocinar

A loucura que eu repudiava vinha para me encontrar,

Vinha afetuosa para me abrasar

Em um tempo que já me deixava congelar.

 

Foi quando me permiti descobrir

Que o limite das coisas está na cabeça que precisa se abrir

Para vir à tona e emergir

Meus próprios mistérios e desejos a afluir.

 

Como a consolar

O reflexo veio meu rosto acariciar

rindo-se satisfeito das incógnitas que em mim conseguiu instalar.

E entre Xis e Ipsilônes agora vivo a tentar me achar.

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Vivi Cabrera

É formada em Jornalismo pela FIAM-FAAM, cursa licenciatura de Geografia e Pós-Graduação em Docência do Ensino Superior na Faculdade Campos Salles. É autora do livro Flores do Asfalto – histórias de duas favelas paulistanas, pela Editora Futurama e arrisca crônicas, contos e poesias de vez em quando.

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