A+ A A-

Privatização

Imagem Divulgação Imagem Divulgação

Deves a franqueza perdoar,

Mas a esta altura a única alternativa que posso encontrar

Depois de tanto procurar e matutar,

Só pode ser esta que vou adiante explicar.

 

Vou me privatizar!

O funcionamento da minha máquina biológica outro irá gerenciar.

O pior dele será superior ao meu melhor ao tentar me cuidar,

Pois mais pareço trem desgovernado prestes a descarrilhar.

 

Vou me privatizar!

As finanças caóticas por mãos que não as minhas ir-se-à organizar

Em planilhas com células coloridas que venham indicar

Quando, onde, como, no quê e porquê devo me controlar.

 

Vou me privatizar!

O tempo que foge de mim, alguém tem que o capturar, domar e otimizar

Para surgir novos instantes aos quais quero me dedicar

Dentro de um infinito que já não me cabe, mas quero alcançar.

 

Vou me privatizar!

A segurança que tinha vou terceirizar

Com o intuito de blindar

Sentimentos para não vir a me decepcionar.

 

Vou me privatizar!

Minha cabeça Drummondiana pesa demasiado sem ninguém para ajudar.

Pende a um canto para poder versar

E versa a outro para poder cantar.

 

O processo de licitação nos dados irá determinar

Qual será a Companhia escolhida para administrar

A bagunça de anos nesse intenso caminhar.

A privatização poderá, ainda, ser mais destrutiva do que se deixar abandonar.

Avalie este item
(1 Voto)
Vivi Cabrera

É formada em Jornalismo pela FIAM-FAAM, cursa licenciatura de Geografia e Pós-Graduação em Docência do Ensino Superior na Faculdade Campos Salles. É autora do livro Flores do Asfalto – histórias de duas favelas paulistanas, pela Editora Futurama e arrisca crônicas, contos e poesias de vez em quando.

voltar ao topo