A+ A A-

Edifício

Imagem Divulgação Imagem Divulgação

Primeiro andar.

Jurandir a esperar pelo jantar

Que Ana em outro apartamento desiste de cozinhar.

Lúcio se dá por satisfeito e agora contempla da sacada a luz do luar.

 

Segundo andar.

Úrsula pensa em se matar

Enquanto Débora usa a madrugada para sonhar

Entre conversas, pensamentos e brindes com João do terceiro andar.

 

No terceiro andar,

As janelas abertas trazem para Bianca o tempo de recomeçar

Que desliza nos lençóis esvoaçantes a florear

Planos que à noite costuma arquitetar.

 

Quarto andar, quinto.

Muito indivíduo que circula é anônimo e indistinto.

Sexto andar, sétimo, oitavo.

Cada pavimento é um aglomerado de alvéolo, de favo.

 

Nono, décimo, décimo primeiro andar.

O elevador sobe até o vigésimo alcançar,

Escalando ou descendo os degraus para galgar

Histórias diversas que se cruzam e se perdem sem durar.

Avalie este item
(1 Voto)
Vivi Cabrera

É formada em Jornalismo pela FIAM-FAAM, cursa licenciatura de Geografia e Pós-Graduação em Docência do Ensino Superior na Faculdade Campos Salles. É autora do livro Flores do Asfalto – histórias de duas favelas paulistanas, pela Editora Futurama e arrisca crônicas, contos e poesias de vez em quando.

voltar ao topo