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Recomeço

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O Recomeço

Moldo do destroço.

Monto o que se quebrou,

Ergo o que restou

Para ressignificar a partida

E transformar o que sobra da vida.

 

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É sacrifício

Necessário para sobreviver.

É exercício para não enlouquecer

Com aquilo que se padece,

Indo ao chão para encontrar o que ainda fortalece.

 

Retornar ao pó

É ato que se pratica só.

É o resgate do que cintila da humanidade

Para não cair na bestialidade

Do vazio

Ou de um sentimento bravio.

 

No renovo do que foi ceifado

- desejo esmagado, sonho esfacelado –,

Fica a sensação rude

De ter fracassado amiúde,

De ter deixado algo passar,

Seja por negligência, mal-jeito ou por não saber como lidar.

 

Mas não me furto a reconstruir

A destruição que cerca e tenta me oprimir.

Arranjo força do nada

E aconteço numa virada.

Aprendi a compactar espinhos

Para fazer pavimento aos futuros caminhos.

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Vivi Cabrera

É formada em Jornalismo pela FIAM-FAAM, cursa licenciatura de Geografia e Pós-Graduação em Docência do Ensino Superior na Faculdade Campos Salles. É autora do livro Flores do Asfalto – histórias de duas favelas paulistanas, pela Editora Futurama e arrisca crônicas, contos e poesias de vez em quando.

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