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Sobre Não Parar

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Não quero entrar em parafuso,

Paranóia.

Não quero ser para-raios de outras histórias,

Cair de paraquedas no meio de um abismo que não é meu.

Não quero perder tempo a observar para-brisas

Em dia de tempestade a castigar.

Já sei que vem e vão sem parar,

A chuva a pingar e o mecanismo a oscilar.

Não quero que para-fogo nenhum apague a chama

Que me força a não parar jamais,

Ainda que também não queira ter de precisar de para-cinzas

Para recolher o que depois possa vir a restar.

Não quero para-muros

A evitar que eu vá de encontro ao concreto do que desconheço.

O aprendizado e o passar do tempo

São os melhores para-choques que se têm notícia.

Não quero um para-fios

A conter as ramificações dos meus desejos.

Anseio por que floresçam e frutifiquem,

Que talvez desfaleçam, mas que sirvam de adubo a novas experiências.

A gente cansa de se consumir.

A gente cansa de se exceder.

A gente cansa de se chocar com tudo e em tudo.

A gente cansa de chorar.

A gente cansa de perder.

A gente cansa do outro.

A gente cansa da gente.

A gente cansa por se cansar sempre.

Mas é inebriante a plenitude

Que se tem em não cessar,

Em não parar jamais.

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Vivi Cabrera

É formada em Jornalismo pela FIAM-FAAM, cursa licenciatura de Geografia e Pós-Graduação em Docência do Ensino Superior na Faculdade Campos Salles. É autora do livro Flores do Asfalto – histórias de duas favelas paulistanas, pela Editora Futurama e arrisca crônicas, contos e poesias de vez em quando.

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