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Fabiana de Gouvea Torres

Fabiana de Gouvea Torres

É bacharela em Turismo e mineira de corpo e alma. Leitora fervorosa e apaixonada. Mãe, esposa e dona de casa zelosa, na hora do recreio viaja pelo mundo da literatura.

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A Bem-Amada

Sobre a aparência e o comportamento de Safira era possível afirmar inúmeras coisas. Constantemente vigiada por olhares ferinos, julgada por pensamentos cruéis e (mal) falada por línguas bipartidas; ela escolhera viver de forma alheia. Havia atingido um nível de desprendimento tão elevado que simplesmente não se importava com a opinião dos outros. Vivia em constante estado de nirvana, levitando absoluta e iluminada sobre as cabeças da inveja alheia. É certo que desde pequena as teses de outrem não lhe causavam a menor preocupação. Ocupava-se dela própria, de suas alegrias e tristezas, vitórias e derrotas. Fizera um pacto consigo: jurara sempre se gostar, respeitar e defender. Pois afinal, o eu vem antes de todos.

Convite para um Duelo

As gotas de chuva escorriam docilmente pelo vidro da janela. Entre lençóis, Malena abriu os olhos e por instantes permaneceu vagamente aflita, até se lembrar que era domingo. Um dia corriqueiro; um dia qualquer - gris e sem significado. Afinal, quando se trabalha, que sentido tem passar um dia inteiro de pernas para o ar?

O Corredor

Sentiu o peito arder quando seus olhos se encontraram pela primeira vez. De súbito, levou a mão ao coração na tentativa de apartar o fogo que lhe invadia as entranhas. Tentou esboçar alguma reação, primeiro com os lábios, depois com os olhos. Mas permaneceu imóvel.

Do Outro Lado do Rio

O dia se acabava naquele lugar ao sul do mundo. No céu, o dourado das luzes espraiadas se fundia ao horizonte de veludo carmim. Uma fragata flutuava suavemente pelas águas do porto. O mundo era calmo quando visto dali; aquela margem parecia ter seu próprio significado de tempo. Do outro lado do rio o sol ia se rendendo devagar ao horizonte.

Sangue Quente – Final

Mais tarde, em seu refúgio, a pantera recostou a cabeça sobre o travesseiro. Imagens várias passaram por seus olhos dourados. Lembranças de veludo escarlate, paredes de metal, sussurros e prazer agonizante. Pousou a mão nos lábios e abriu um sorriso secreto. Olhou através da janela a tempestade que caía e logo adormeceu sob as luzes espraiadas que rasgavam o céu.

Sangue Quente – Parte VI

Seus olhos se encontraram.  Fabrício devorou-a com um olhar primitivo, que percorreu desde os tornozelos rijos sobre o salto alto, as pernas longas e morenas, o quadril sob a saia justa, os seios salientes que se ofereciam através da fresta no decote da camisa ao pescoço esguio. Quando seus olhos alcançaram o rosto de Jade, deixou escapar um sorriso misterioso. Ela tinha os lábios cor de carmim entreabertos, o rosto corado e uma brutalidade no olhar que fez seu corpo arrepiar por inteiro.

Sangue Quente (Parte V)

Precisamente às sete horas e cinco minutos da manhã o despertador começou a berrar. Jade rolou na cama e esticou o braço para alcança-lo, em cima do criado-mudo. Abriu os olhos ferozes e fez menção em arremessar na parede o pequeno, mas potente aparelho. Destravou o pino, dando fim ao seu tormento. Resignada, jogou as pernas para fora da cama e roboticamente levantou o corpo para então dar alguns poucos passos até o banheiro.  

Sangue Quente (Parte IV)

A pantera acordou de um sobressalto. Olhou para o lado e encontrou a cama vazia. Passou a mão no rosto, se enroscou no lençol e foi procurar Fabrício. Caminhou pelo corredor e ouviu sua voz. Encontrou-o na sala; nu enquanto falava ao telefone – conversa de trabalho.

Sangue Quente (Parte III)

Ele fez questão de pagar pela corrida, desceu primeiro e ofereceu sua mão para ajuda-la a sair do veículo. Pediu para que o acompanhasse e cumprimentou o porteiro ao passar. Entraram no elevador e imediatamente digitou um código de acesso. Feito isso, voltou-se para ela e abriu um sorriso lascivo, repleto de mistério.

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