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Breve Tratado Sobre o Direito do Silêncio

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Este não é um texto sobre o silêncio. Este é o próprio silêncio incorporado ao texto. Muitos dizem que o silêncio esbarra na indiferença. Digo que o silêncio também é uma forma de oração e bem-aventurado aquele que o recebe como resposta.

 

Forjar uma voz, sendo mulher, em um contexto de retrocesso como o que se vive é difícil. A guinada conservadora nos ensina que lugar de mulher é, na melhor hipótese, a versão “bela, recatada e do lar”. Em uma sociedade competitiva; se algo novo surge, o círculo se fecha e logo o silêncio se impõe para que não esqueçamos que tentar já é a ousadia do nunca conseguir – tentam fazer crer. O trocadilho é proposital. Este não é nada mais que um breve tratado pelo direito à ironia. E pelo silêncio.

Se cada pequena conquista é medida pelos likes que recebemos por dia, nosso valor é medido pelos algoritmos e somos reféns da egotrip que nos engolfa.

Para cada silêncio que me envolve; lembro da frase do poeta italiano Cesare Pavese: “A literatura é uma defesa contra as ofensas da vida”. A escrita é o terreno pelo qual o silêncio se transforma naquilo que não tem nome. O inominável também é resistência.

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Fernanda Fatureto

É poeta e jornalista. Formou-se em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Seu primeiro livro de poemas, Intimidade Inconfessável (Editora Patuá), foi publicado em 2014. Integra a antologia poética 29 de abril: o verso da violência (Editora Patuá, 2015) e a antologia de contos Subversa 2 (Editora Patuá, 2016). Nasceu em Uberaba, MG, e morou por oito anos em São Paulo, capital. Possui poemas publicados em diversas revistas literárias.

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