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"O Fausto russo de Bulgákov", novo ensaio de Flávio Ricardo Vassoler publicado pelo Estadão (10/12/17)"

  • Publicado em Na mídia

Acaba de ser publicado, no caderno literário "Aliás", do jornal "O Estado de S. Paulo" (10/12/17), o ensaio "O Fausto russo de Bulgákov" (título original: “Mikhail Bulgákov e o fantástico como razão de Estado”), de autoria do escritor e professor Flávio Ricardo Vassoler, doutor em Teoria Literária pela FFLCH-USP. O texto em questão dialoga com a ótima tradução da obra-prima “O Mestre e Margarida” (Editora 34) feita pelo jornalista Irineu Franco Perpetuo.

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O Corredor

Sentiu o peito arder quando seus olhos se encontraram pela primeira vez. De súbito, levou a mão ao coração na tentativa de apartar o fogo que lhe invadia as entranhas. Tentou esboçar alguma reação, primeiro com os lábios, depois com os olhos. Mas permaneceu imóvel.

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Você está implicado, e não vai bamburrar, parte 2

“Toda vez que der num veio, o garimpeiro vai tirar o ouro, todo, até num dar mais. Isso é bamburrar: dar no veio de ouro, achar a pepita, dar com muito ouro. Igualmente mesmo: todas as vezes que pegar o dinheiro, ele vai pr´a currutela torrar tudo. Rapariga e cachaça, esquenta o cabaré comemorando. Isso também é bamburrar. Bamburrar não é só achar muito ouro e ficar rico: bamburrar é achar muito ouro, ficar muito rico, e torrar tudo em rapariga e cachaça. Torra tudo, até o último real. Freta caminhonete, fecha hotel. De comer, quase que nem se alembra não. Garimpeiro é bicho engraçado: amarga malária, soterra no barranco, à cata do ouro, e de noite, na rede, conversa com os companheiro falando assim: ´quando eu bamburro eu me faço! Saio daqui e enrico a família´. Bamburra, e torra. Dias depois tá curtindo ressaca no barranco de novo. Sonho de garimpeiro é bamburrar, mas bamburro é gastar. É o que dizem: o que é do garimpo fica pro garimpo, nem ninguém num leva para casa não senhor. Bamburro é isso: ganhar, torrar, perder. Acho que tá mais para gastar mesmo”.

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Edifício

Primeiro andar.

Jurandir a esperar pelo jantar

Que Ana em outro apartamento desiste de cozinhar.

Lúcio se dá por satisfeito e agora contempla da sacada a luz do luar.

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Pequenina

Hoje pequena acordei

Descobrindo que a ser criança voltei.

Agora eu era a criança debruçada na alta penteadeira,

Equilibrando-se na ponta dos pés levando a sério a brincadeira

De no espelho um horizonte do futuro encontrar,

Para crescer adubada pela esperança da realidade presente poder desacreditar.

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Notas de um trauma continuado

Quando se discute com alguém que pensa diferente sobre algum assunto, um exercício básico de alteridade seria tentar se colocar na perspectiva do outro e buscar compreender quais os motivos que levam o indivíduo a sustentar tal posição, mesmo que não concordemos. Só que em alguns casos esse exercício fica muito difícil.

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