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Um singelo agradecimento ao ilustre professor Antonio Candido

Foto Divulgação - Fotógrafo Marcos Santos/USP Foto Divulgação - Fotógrafo Marcos Santos/USP

E mais um domador de mares bravios do conhecimento deixou o leme. Uma biblioteca de humanidades se foi. Foi-se o capitão, mas suas rotas permanecerão abertas para a posteridade. Foi-se a biblioteca, mas o vasto conhecimento produzido com base nas leituras de suas obras ecoará pelos séculos seguintes. As ideias e reflexões construídas ficarão, pois são constituintes do patrimônio cultural de nossa nação com imensa contribuição em momentos decisivos para a formação da literatura brasileira.

 Permanecerão as lembranças prazerosas dos que puderam, e daqueles que ainda poderão, caminhar por entre as obras desta biblioteca e fruir a vida horas a fio neste grandioso universo de conhecimento. Por vezes, ao buscar uma obra específica, quem nunca entrou no corredor vizinho por engano e se deliciou por encontrar algo extraordinário de forma inesperada? Ah, confessemos que nestas horas a vontade sempre foi a de cortar o fio de Ariadne para perder-se constantemente nesta Biblioteca de Babel, que foi e continuará sendo uma verdadeira sala de aula para muitos intelectuais do Brasil e do mundo.

Ah, o prazer em percorrer suas trilhas intelectuais esperando sempre estar longe do ponto de chegada, tal qual a caminhada por um primoroso texto crítico ou por um bom romance. Nestas veredas infindáveis, o ponto de chegada onde ancoramos temporariamente é sempre um porto para reflexões sobre as travessias recém vivenciadas, atuando estas como intervenções para a reafirmação de alguns trajetos ou, na maioria das vezes, para o redirecionamento de nossas rotas para novas expedições profundas e duradouras.

A despedida, neste caso, é baseada na mais sincera gratidão por esta biblioteca humana, por esse capitão, que tendo enfrentado muitas adversidades em mares revoltosos, conseguiu como poucos, com muita dedicação e seriedade, traçar rotas seguras para navegarmos nas águas de nossa literatura e sociedade. Devido a seu legado, em águas antes inavegáveis, hoje são possíveis viagens intercontinentais, a trabalho ou a passeio, tendo este ilustre capitão aberto a porta dos mares para que se aventure até mesmo o mais inexperiente canoeiro.

Por este grande legado, fruto de décadas de trabalho sério e respeitoso para com o desenvolvimento da educação e da intelectualidade nacional, muito obrigado! Descanse em paz, grande Mestre Antonio Candido, parceiro deste rio bonito.

12 de maio de 2017

Fabrício César de Aguiar

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Fabrício César de Aguiar

É professor de literatura brasileira e possui graduação em Letras e mestrado pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Atualmente é doutorando em literatura brasileira pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), pesquisador e admirador da obra de Guimarães Rosa. É idealizador do projeto educacional Fermento pra Conhecimento e canoeiro de primeira viagem pelas veredas da escrita literária.

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