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O homem que amava Marineide, um ensaio sobre a pureza

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Andando pelas ruas de São Paulo, de tempos em tempos surpreendidos por algumas cenas que nos marcam de alguma maneira – para o bem ou para o mal.

            Recentemente eu caminhava quando vi à minha frente certo homem, que logo se virou, ajeitou seu boné, acenou para alguém à distância e disse: “Eu te amo, Marineide!” Achei a cena muito interessante e notei que ele, visivelmente emocionado, ao mesmo tempo chorava e sorria. Mais alguns passos e o homem repetiu todo o ritual, concluindo a plenos pulmões: “EU TE AMO, MARINEIDE!”

            Foi o suficiente para que aquele jovem apaixonado ganhasse toda a minha admiração. Amai para entendê-lo, como diria o poeta Olavo Bilac!

            Ele seguiu seu caminho e eu fiz o mesmo, mas depois fiquei levantando hipóteses que pudessem explicar o motivo do riso ou das lágrimas de nosso herói. Será que haviam brigado e ele implorava pelo perdão de sua musa? Se for este o caso, espero que Marineide confie em William Shakespeare, que sentenciou que a história de um amor verdadeiro nunca transcorreu em caminhos suaves e que amor não é amor se nos primeiros obstáculos se altera. Ou será que aqueles eram justamente os momentos posteriores à reconciliação do casal ou ao encontro em que Marineide anunciara a gravidez? Ou será que ela aceitara finalmente a proposta de casamento e as lágrimas do rapaz eram de pura felicidade?

            Bem, talvez eu nunca mais veja aquele homem que não tinha vergonha de amar e de externar todo seu sentimento em alto e bom som (sem humildade e coragem não há amor, Zygmunt Bauman vai falar) para que todos vissem que, sim, ele é um homem de carne, osso e, voilà, sentimentos e que vivemos tempos difíceis, mas que o amor há de estar sempre presente. De qualquer maneira, ficarei torcendo sempre para que ele seja bem feliz ao lado de sua tão querida Marineide, bem como todos aqueles que se amam verdadeiramente, por todo o sempre.

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Ricardo Santana

Empregado público, é administrador de empresas por formação e admirador de poesia, música e literatura por inclinação. Dando seus primeiros passos na arte da escrita, suas narrativas são reflexos de suas leituras e de suas próprias vivências e observações.

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