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Os sofrimentos do jovem Werther e o regozijo de um jovem leitor

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São Paulo, ano letivo de 2001

            Durante uma aula de Língua Portuguesa, o professor Antônio Carlos abre parênteses no engessado currículo escolar para fazer um comentário acerca deum livro que acabara de ler: “Os sofrimentos do jovem Werther”, um dos marcos eápices do Romantismo,escrito pelo alemão Johann Wolfgang von Goethe em 1774.
Antônio Carlos discorre brevemente sobre a obra e sobre o impacto que esta gerouna sociedade alemã àépoca: o traje do personagem principal virou moda entre os jovens e pasmem muitas pessoas se suicidaram após a leitura do livro.

            Entre os alunos daquela sala de Ensino Médio estava este que vos escreve. Ainda me recordo de que o breve resumo apresentado de maneira apaixonada pelo professor me chamou bastante atenção. Ao final da aula, conversei com ele e disse que havia ficado intrigado ao saber que um livro poderia impactar de tal maneira a vida (e a morte) das pessoas.

            Antônio Carlos gostou de ver meu interesse e se prontificou a me emprestar olivro no mesmo instante, uma atitudeinesperadae despretensiosa.E é difícil descrever como aquela obra despertou meu interesse pelas belasletras! Li-o em poucos dias, envolvi-me com o desenrolar dos acontecimentos e com o personagem principal, compadeci-me desua (falta de) sorte, apreciei seu senso de ética e me vi bastante envolvido com aquele amor tão intenso que Werther sentia por Charlotte.

            E então o tempo passou, desenvolvi o hábito da leitura e apesar de muito procurá-lo, lamentavelmente ainda não fui capaz de encontrar o professor Antônio Carlos (não sei seu sobrenome). Sinto que preciso agradecê-lo imensamente por aquele gesto e dizer a ele que me tornei um amante da literatura e que aquele seu gesto despretensioso mudou o curso da minha vida. Como disse o poeta americano Henry Thoreau, muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro.

            O escritor alemão Thomas Mann escreveu o ensaio “Goethe como representante da era burguesa”, que podemos encontrar em seu livro “O escritor e sua missão; Goethe, Dostoiévski, Ibsen e outros” (Ed. Zahar, 2011), em que ele ressalta sua importância para a literatura e cultura alemã, dizendoque não pode falar de Goethe senão com amor. E por conta da passagem descrita neste relato autobiográfico que acabo de compartilhar com vocês, passei a dizer basicamente o mesmo: é difícil falar de Goethe e do meu querido professor Antônio Carlos e não falar de amor!

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Ricardo Santana

Empregado público, é administrador de empresas por formação e admirador de poesia, música e literatura por inclinação. Dando seus primeiros passos na arte da escrita, suas narrativas são reflexos de suas leituras e de suas próprias vivências e observações.

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