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Abraço

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Ainda que tenhamos ciência do caráter efêmero de nossa existência e daqueles que estão ao nosso redor, temos o costume de negligenciar algumas coisas e só passar a dar o devido valor a elas lamentavelmente depois de perdê-las. Com alguma sorte, às vezes ainda em tempo de fazer algo diferente e reparar alguma falta. Mas mesmo que tenhamos a consciência de ter aproveitado ao máximo a convivência com as pessoas que amamos, o que não daríamos para novamente poder abraçar nossos entes queridos: pais, filhos, amigos ou aquele grande amor que já não temos mais ao nosso lado? O que faríamos para tê-los novamente no calor de nossos (a)braços?

Falemos, pois, do abraço. Dois corpos que desafiam as leis da física e tentam ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Dois corações sentindo a vibração de seu semelhante pulsando no peito alheio, estando naquele momento exatamente alinhados, pois o coração (segundo o compositor Noel Rosa e ao contrário do que diz a medicina e o dito popular) não está do lado esquerdo nem tampouco do direito, fica no centro do peito – eis a verdade!

Um gesto de carinho pode mudar o curso de uma vida. E há dias em que sentimos que tudo de que precisamos é saber que não estamos sozinhos, ver-nos envolvidos em um abraço afetuoso e, ao sair dele, ter a nítida noção e sensação de que já não somos mais a mesma pessoa.

E quem já teve a oportunidade de sentir a paz e o conforto em um abraço concorda com o professor e filósofo Clóvis de Barros Filho, que diz que a felicidade nós sentimos naquele instante de vida que nós queríamos que não acabasse ou que, pelo menos, durasse um pouco mais. E é capaz também de compreender perfeitamente porque o Coelho, personagem do clássico livro “Alice no País das Maravilhas”, do escritor Charles Lutwidge Dodgson – mais conhecido como Lewis Carroll – quando perguntado pela jovem Alice quanto tempo dura o eterno, responde sem hesitar: "às vezes apenas um segundo".

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Ricardo Santana

Empregado público, é administrador de empresas por formação e admirador de poesia, música e literatura por inclinação. Dando seus primeiros passos na arte da escrita, suas narrativas são reflexos de suas leituras e de suas próprias vivências e observações.

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