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Robson Mattos

Robson Mattos

Graduado em Letras, é escritor, revisor de texto, professor dos Ensinos Fundamental e Médio e vocalista em uma banda de rock independente. Atualmente, reside em Osasco, com Bárbara, sua esposa.

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Labiríntico

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Noite de breu sufocante. R. se esgueira mata adentro, procurando algum abrigo à chuva torrencial que despenca do céu. Onde estou? O que são essas árvores e rochedos? Novamente vim parar aqui? Suas pernas estão doloridas, tudo o que ele gostaria era de um lugar seco para deitar e alguma coisa macia onde pudesse reclinar a cabeça. Dormir. Dormir até esquecer-se de si. Mas eu já tinha feito o serviço que me fora designado... como ainda me mandaram para cá? E as minhas férias? Estou cansado, muito cansado.

Prolegômenos a uma Metafísica do Vácuo

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            Não sou do tipo que gosta de convívio social. Aliás, é-me muito penoso sair para comprar leite e outras coisas necessárias à subsistência física. Mas admito que esse desgosto acaba por me tornar mais humilde, uma vez que percebo que não sou só ideia, mas também carne.  No entanto, sei que esta condição na qual vivemos é apenas uma ilusão passageira. Sim, num dado momento, quando a humanidade, juntamente com o cosmos todo, se der conta de que o Nada é preferível ao Ser, aí o repouso absoluto nos visitará em permanente.

O caso do homem que se liquefez

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Esta é a história de um homem que, por meio da ascese pessoal, desceu aos ínferos da realidade. O processo se iniciou, mais evidentemente, numa quinta-feira banal, após Frederico – este é o nome do nosso santo – terminar de ler um grosso volume sobre a história da filosofia.

Nota crepuscular

O que faz de você quem você é? Existe, em você, algo que lhe distinga dos outros? Isso que você chama de “eu” é apenas resultado de coerções sociais ou uma expressão fiel da sua essência? Existe uma essência? Por exemplo, o seu nome; você não o escolheu, assim como não opinou sobre quem seriam seus pais, o ano do seu nascimento, a classe social a que pertence e a região em que mora. E todas essas coisas, que são contingentes – isto é, poderiam não ser ou ser de outra forma -, moldam aquilo que você chama de si, o que você concebe como sendo a “sua” identidade.

Retrato do poeta quando pedra

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Para escrever sobre o Manoel de Barros, tive de ir a um parque – ainda público – aqui perto de casa; tive de ir ao encontro das pedras – e do lodo impregnado nelas -, das folhas retorcidas, esquizofrenicamente amarelas; ao encontro das árvores indiferentes e altivas, das sombras abundantes que abrigam homens cansados; ao encontro do riachinho tímido – e tão raro! -, que está grávido de moscas e de uns poucos peixes boquiabertos... Mas isso porque me sinto inclinado a escrever de forma pedante e acadêmica, o que com certeza é uma blasfêmia contra o musgo e os pássaros. Logo, o que posso oferecer-lhes é tão somente minha percepção sonolenta de um domingo cantado por sabiás e bem-te-vis.

Arquivo morto

Ademir trabalhava em uma fábrica de armas, mais precisamente no setor de projéteis. Contudo, nos últimos tempos, a empresa, para aumentar o lucro, decidira modernizar certas partes da linha de produção, o que ocasionou na dispensa de centenas de funcionários, entre os quais Ademir se viu incluso.

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