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Rafael Siqueira Machado

Rafael Siqueira Machado

Rafael Siqueira Machado é graduado em Ciências Humanas e Ciências Sociais pela Universidade Federal de Juiz Fora (UFJF) e mestrando em Ciências Sociais com ênfase em Antropologia pela UFJF. Pesquisa atualmente os processos de construção das percepções entre tatuadores de Juiz de Fora, Minas Gerais.

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A Ética Capitalista e o Espírito do Consumo: O capitalismo como religião

             Um dos aspectos basilares que permeia o pensamento de Marx (1982) é a constituição das relações produtivas enquanto força criadora da cultura, direito, religião e etc. As relações infraestruturais - dadas por sua materialidade - constituem formas ideológicas superestruturais que legitimam e naturalizam desigualdades sociais. Na contramão argumentativa, Masrshall Sahlins (2003) aponta que a ordem simbólica contextual da cultura cria elementos e especifica as relações produtivas. Situados em polos diametralmente opostos, Marx (1982) e Sahlins (2003) reforçam a circularidade do movimento relacional entre a ordem simbólica e relações produtivas para explicar qual polo possui precedência sobre o outro. Sendo um simpatizante do pós-estruturalismo antropológico, essencialmente da problemática ainda em desenvolvimento da “virada ontológica”, creio não poder advogar para qualquer um dos lados, mas propor um meio termo.

Memento Mori

“Apenas a carne mergulhada no mais puro caos

Deve servir de alimento.

Se queres conhecer os segredos que aqui jazem,

Beba do sangue dos impuros,

Pois o mal que espreita à porta

Só é convidado a entrar com a morte.”

Abdul Alhazred: Al-Azif - Necronomicon

            (...) Quando o padre Eosphorus abriu seus olhos, encontrava-se amarrado em uma coluna arredondada na antiga construção que, a algumas horas antes, permanecia à espreita. O lugar era iluminado com algumas velas que já queimavam por muitas horas, a julgar pelo tamanho. As paredes eram quase totalmente preenchidas por um mofo escurecido que exalava um fétido odor de podridão, mas que com o tempo naturalizava-se ao nariz de qualquer um que permanecesse presente naquele estranho lugar por mais que algumas horas. As janelas eram pintadas de tinta preta, evidenciando as más intenções de quem utilizava o lugar, apesar de não estar claro que acontecia. Apesar de ser uma casa de tamanho médio, as paredes internas foram removidas para que se tornasse apenas um grande cômodo, tal como um templo. Haviam oito bancos de igreja, quatro de um lado e quatro de outro, com uma passagem no centro, contendo cerca de um metro de largura. A coluna em que Eosphorus fora amarrado encontrava-se à frente e ao centro dos bancos, o que o deixara com um mal pressentimento.

A misantropia de Lovecraft: pintura e tragédia como impulso criativo

"Não está morto aquele que pode eternamente jazer, embora, em estranhas eras, até a morte virá a morrer" (H.P. Lovecraft, 1928)"

Certamente a vida de um escritor é uma de suas principais fontes de inspiração, seja nas boas ou, como no caso, nas más experiências. Howard Phillips Lovecraft (1890-1937), escritor estadunidense responsável por revolucionar e dar novas facetas ao gênero literário de terror, foi um grande exemplo do que pretendo abordar: de origem abastada, desenvolveu interesse pela literatura e poesia desde a mais tenra idade.

A gênese divina e o inseto de carne e ossos

Em resumo, para que não se torne apenas palavras escritas num vácuo de desinformação, faço aqui uma curta contextualização do texto abaixo. Minha ideia inicial é trazer uma reflexão a partir do filme “Centopeia Humana 2”. O filme retrata, in nuce, dos devaneios de um louco que cria uma centopeia de seres humanos a partir da união de 12 pessoas. Pessoas estas que sempre se impuseram como “naturalmente” superiores, mas que na degradante situação em questão, tornam-se apenas animais de estimação, sujeitos à vontade sádica daquele que sempre olharam de soslaio.

A desumanização social e a espera por Lux Fero

A construção do que é “ser-humano” é por mim trazida em duas perspectivas paralelas: a primeira ao longo da História, entendida não sob um viés evolutivo unitário, mas em sua pluralidade que entrelaça diversos sujeitos e povos ao longo do tempo e espaço. A segunda em seu caráter circunstancial, ou seja, “ser-humano” depende também de uma delimitação circunscrita da moral, situada socialmente. Estes são dos dois aspectos que pretendo enfatizar.

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