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Fabiana de Gouvea Torres

Fabiana de Gouvea Torres

É bacharela em Turismo e mineira de corpo e alma. Leitora fervorosa e apaixonada. Mãe, esposa e dona de casa zelosa, na hora do recreio viaja pelo mundo da literatura.

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Sangue Quente – Parte VI

Seus olhos se encontraram.  Fabrício devorou-a com um olhar primitivo, que percorreu desde os tornozelos rijos sobre o salto alto, as pernas longas e morenas, o quadril sob a saia justa, os seios salientes que se ofereciam através da fresta no decote da camisa ao pescoço esguio. Quando seus olhos alcançaram o rosto de Jade, deixou escapar um sorriso misterioso. Ela tinha os lábios cor de carmim entreabertos, o rosto corado e uma brutalidade no olhar que fez seu corpo arrepiar por inteiro.

Sangue Quente (Parte V)

Precisamente às sete horas e cinco minutos da manhã o despertador começou a berrar. Jade rolou na cama e esticou o braço para alcança-lo, em cima do criado-mudo. Abriu os olhos ferozes e fez menção em arremessar na parede o pequeno, mas potente aparelho. Destravou o pino, dando fim ao seu tormento. Resignada, jogou as pernas para fora da cama e roboticamente levantou o corpo para então dar alguns poucos passos até o banheiro.  

Sangue Quente (Parte IV)

A pantera acordou de um sobressalto. Olhou para o lado e encontrou a cama vazia. Passou a mão no rosto, se enroscou no lençol e foi procurar Fabrício. Caminhou pelo corredor e ouviu sua voz. Encontrou-o na sala; nu enquanto falava ao telefone – conversa de trabalho.

Sangue Quente (Parte III)

Ele fez questão de pagar pela corrida, desceu primeiro e ofereceu sua mão para ajuda-la a sair do veículo. Pediu para que o acompanhasse e cumprimentou o porteiro ao passar. Entraram no elevador e imediatamente digitou um código de acesso. Feito isso, voltou-se para ela e abriu um sorriso lascivo, repleto de mistério.

Sangue Quente (Parte II)

A pantera abriu seus olhos dourados no meio da noite.  Levantou da cama e saiu na ponta dos pés enquanto o estranho dormia profundamente.  Recolheu as roupas no chão e foi até o outro cômodo se vestir. Antes de sair pela porta deu uma última espiada no homem que dormia nu, de bruços. Ao chegar à rua, calçou os sapatos e saiu pela noite sem luar. Foi para seu esconderijo particular, descansar um pouco.

Tinha o hábito de sair em silêncio, sem se despedir, no meio da noite. Detestava amanhecer ao lado de alguém. Nessas horas preferia estar consigo mesma, em seu refúgio. Não era de nenhum modo antissocial, apenas não desejava desenvolver laços ou mesmo nutrir falsas esperanças de algum homem mais sentimental.

Não tinha preferência por nenhum tipo físico em particular. Costumava evitar aqueles de aspecto tolo, pois normalmente apresentam tendência ao apego emocional. Lançava seu olhar felino na multidão e apreciava aquele que devolvesse a mesma mirada. Imediatamente criavam uma conexão, uma espécie de sintonia que abreviava o esforço de ambos.

Apesar de jovem, dominava a arte da conquista como poucas. Mais que sedução, se tratava de um jogo de poder e domínio. Jogo esse que começava em algum lugar público e depois passava a outro nível, entre quatro paredes. Os fetiches lhe pareciam estranhos, discordava de certas bizarrices e não aceitava uma terceira pessoa, pois queria o parceiro exclusivamente para si. Afinal, o prazer é único e solitário – o derradeiro momento do orgasmo não pode ser compartilhado.  

De dia, a morena vestia sua roupa de trabalho e usava óculos de leitura para dissimular o olhar devorador. De segunda a sexta dedicava oito horas de seu tempo recrutando candidatos para os mais variados tipos de ofertas laborais. Já havia ocorrido de se deparar com algum de seus amantes furtivos em uma entrevista de emprego. Como os candidatos precisavam da vaga, jamais manifestavam qualquer palavra sobre a coincidência. Felizmente, apenas a olhavam com cara de espanto.

De noite, depois do trabalho, se transformava nela mesma. Apesar de ter amigas, nessas ocasiões crepitantes gostava de sair sozinha. Visava indivíduos solitários como ela e jamais se relacionava com algum colega ou conhecido do trabalho. Era de fato livre para ser o que queria e escolher quem quisesse.

Certa noite quando sentiu as primeiras chamas a lhe consumirem o corpo, se arrumou e saiu. Colocou um vestido ajustado, botas e mais nada. Tinha calor por baixo da pele e uma ardência quase febril nos olhos. Entrou no abatedouro e foi rapidamente notada. Como de costume, foi até o bar pegar algo para tomar e precisou se desvencilhar de alguns abutres que cruzaram seu caminho.

Voltou-se para a multidão e iniciou sua caçada espreitando algo que lhe interessasse. Seus olhos cruzaram de relance com os de um homem que estava na direção oposta, sozinho. Era alto, viril, desses que devoram com um olhar. Sustentou a mirada de maneira resignada, demonstrando todo seu poder. A moça pantera decidiu entrar no jogo e o encarou da mesma forma. Nenhum dos dois estava disposto a se intimidar.

Algum tempo depois, ela resolveu dar a cartada final e caminhou em direção à saída. Quando chegou à porta, duas mãos lhe tocaram a cintura. Sentiu toda sua energia a lhe comprimir as costas. Era ele. Afastou seu cabelo, deixando o pescoço exposto e sussurrou em seu ouvido.

-Aonde pensa que vai, pantera?

A morena virou-se e o encarou. Esboçou um sorriso vitorioso e passou a mão por sua cintura. Sentiu por cima da roupa a massa de músculos rijos, como uma admirável máquina. Uma onda de calor lhe subiu corpo afora e rugiu com a voz embargada.

-Estava indo embora.

-Mas já? Não posso permitir. A não ser que...

-Que?

-Que eu vá com você.

Deu-lhe um olhar dissimulado e virou-se para a porta. Caminhou três passos e de novo foi envolvida pela cintura. Ele a virou, pressionando seu corpo contra o dela e beijou sua boca de maneira suave. Tornou a olhar em seus olhos e respondeu ao beijo, passando a língua em chamas sobre os lábios dele.

-Adeus.

Saiu para a rua com seu peculiar andar felino. Quando se preparava para entrar no táxi, se deparou com uma forte mão que abriu a porta. Era ele novamente. Entrou com ela no veículo e deu as instruções ao motorista. Permaneceram em silêncio durante o curto trajeto até a porta de um edifício.     

Continua... 

A Derradeira Felicidade – Capítulo Final Caso XV: A Busca

Primeiramente quero agradecer a você que confidenciou sua história, leu, compartilhou e prestigiou este conjunto de quinze textos sobre o objetivo máximo de todos nós: a Felicidade. Foi possível observar que o conceito é variável para cada um. Vimos histórias de pessoas que explodiram de felicidade por um amor correspondido, um vídeo game, instrumento musical, reencontrando entes queridos, se elevando espiritualmente e até divagando sobre o momento da morte. Cada história é única, bem como seu dono.

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