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Vivi Cabrera

Vivi Cabrera

É formada em Jornalismo pela FIAM-FAAM, cursa licenciatura de Geografia e Pós-Graduação em Docência do Ensino Superior na Faculdade Campos Salles. É autora do livro Flores do Asfalto – histórias de duas favelas paulistanas, pela Editora Futurama e arrisca crônicas, contos e poesias de vez em quando.

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Verso Inverso

Quando nasci mirei nos olhos da mãe que sorria

E abraçava meu corpúsculo com amor e cuidado.

Sentia naquilo a sensação de pertencimento a algo que não sabia explicar.

Foi então que cortaram o cordão umbilical e perdi a conexão com a fonte,

Perdi a ligação com o quê – ou quem – ficava ao meu redor.

Bagunça

Entre pilhas de roupas e papéis,

Mistérios insolúveis ou inadiáveis

Observo a vida passar

Pelos dedos, pelo ralo,

Pela janela aberta para a rua que antes era de paralelepípedos,

Mas que hoje exibe orgulhosa seu manto de asfalto.

Qual é o preço?

Qual é o preço da tua liberdade?

Qual é o vintém

Que te mantém

Preso a uma obrigatoriedade?

 

Qual é o preço da tua liberdade?

Um pseudo-amor,

A ilusão do martírio e salvação ao suportar uma dor,

Ou o que lhe aprisiona é a vaidade?

 

Qual é o preço da tua liberdade?

Carros mais luxuosos,

Tecnologia que forma um exército de preguiçosos,

Ou uma ideia de Deus permeada de contradição e ambiguidade?

 

Qual é o preço da tua liberdade?

Viver no escuro e repudiar a luz,

Desprezar tudo o que a razão pura conduz

Para abraçar voluntariamente a obscuridade?

 

Qual é o preço da tua liberdade?

Uma casa em bairro nobre,

A possibilidade remota de jamais voltar a ser pobre,

Ou um crescente complexo de inferioridade?

 

Qual é o preço da tua liberdade?

A representação de um personagem artificial,

A necessidade de uma credencial

Para ser aceito em sociedade?

 

Qual é o preço da sua liberdade?

Enlaçar-se a uma vício,

Ser exclusivamente para o trabalho até que se esteja à beira de um precipício,

Ou acreditar que os avessos compõem a normalidade?

 

Qual é o preço da sua liberdade,

Você que fecha os olhos para o real

E imagina um mundo ideal

Sob o egoísmo da sua particularidade?

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