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Publicado, na revista "Acta Scientiarum", o artigo "Um diálogo entre Mikhail Bakhtin e a Teoria Crítica: um caminho da dialogia e da polifonia à dialética de Dostoiévski", de Flávio Ricardo Vassoler

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Pessoal, é com muita alegria que compartilho com vocês um artigo de minha autoria que acaba de ser publicado na revista "Acta Scientiarum: Língua e Cultura" [v. 40, n. 1 (2018)], periódico vinculado ao Departamento de Teorias Linguísticas e Literárias da Universidade Estadual de Maringá, no Paraná: "Um diálogo entre Mikhail Bakhtin e a teoria crítica: um caminho da dialogia e da polifonia à dialética de Dostoiévski" -- eis o link para o texto: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/ActaSciLangCult/article/view/34621/pdf

O artigo em questão sintetiza uma parte fundamental das minhas discussões sobre a poética de Dostoiévski em diálogo com o russo Mikhail Bakhtin e o alemão Theodor Adorno -- desenvolvi essas discussões, com fôlego total, em minha tese de doutorado: "Dostoiévski e a dialética: fetichismo da forma, utopia como conteúdo" (2015). 


Vale frisar que o artigo encaminha uma possibilidade efetiva de resposta para uma pergunta que Bakhtin formulou em 1929, quando da publicação da primeira edição de "Problemas da poética de Dostoiévski": como seria possível conciliar o "romance polifônico integral", que, segundo Bakhtin, teria vindo à tona justamente com a obra de Dostoiévski, com a categoria estético-filosófica de "totalidade", categoria que, novamente para Bakhtin, seria essencial para as composições do escritor russo. 


Tanto no Brasil quanto no exterior, boa parte da fortuna crítica de Dostoiévski tende a tomar por dada a validade da polifonia bakhtiniana, sem, no entanto, conseguir totalizá-la (isto é, sem superar suas contradições) teórica e esteticamente. Saliento que Bakhtin, com muita honestidade intelectual, admitiu que "Problemas da poética de Dostoiévski" não consegue resolver as aporias imanentes à apreensão teórica do "romance polifônico integral". 

Muitas correntes críticas que discordam de Bakhtin, por sua vez, o fazem de maneira extrínseca, isto é, argumentam de modo a prescindir das categorias polifônicas, o que faz com que elas também não consigam superar as aporias bakhtinianas. (É como se, diante da impossibilidade de desatar o nó górdio do "romance polifônico integral", tais correntes críticas cortassem a corta ao meio -- o nó, entretanto, permanece firme e forte.)

É assim que, no artigo a que esta postagem se refere e em minha tese de doutorado, procurei responder à pergunta/desafio de Bakhtin de modo a superar, dialeticamente, as aporias da polifonia de Dostoiévski. Tal trajetória me levou a uma reaproximação entre as categorias bakhtinianas e a dialética materialista, sobretudo a partir das contribuições de Theodor Adorno (dialogo, sobretudo, com a "Teoria estética"). 


O diálogo entre polifonia e dialética, a meu ver, responde às questões formuladas por Bakhtin em 1929 e tem o potencial de reconfigurar o título da obra seminal do crítico russo: de "Problemas da poética de Dostoiévski" para "Problemas da dialética polifônica de Dostoiévski". 

"Um diálogo entre Mikhail Bakhtin e a teoria crítica: um caminho da dialogia e da polifonia à dialética de Dostoiévski" -- eis o link para o texto:

http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/ActaSciLangCult/article/view/34621/pdf {revista "Acta Scientiarum: Língua e Cultura" [v. 40, n. 1 (2018)], periódico vinculado ao Departamento de Teorias Linguísticas e Literárias da Universidade Estadual de Maringá, no Paraná}.

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Flávio Ricardo Vassoler

Flávio Ricardo Vassoler, escritor e professor, é mestre e doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada pela FFLCH-USP, com estágio doutoral junto à Northwestern University (EUA). É autor das obras literárias Tiro de Misericórdia (nVersos, 2014) e O Evangelho segundo Talião (nVersos, 2013) e organizador do livro de ensaios Fiódor Dostoiévski e Ingmar Bergman: O niilismo da modernidade (Intermeios, 2012). Periodicamente, atualiza o Portal Heráclito, www.portalheraclito.com.br, página em que posta fragmentos de seus trabalhos literários, os programas do Espaço Heráclito e fotonarrativas de suas viagens pelo mundo.

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