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Quem Somos

heraclito

O pensador Heráclito de Éfeso (535 a.C. – 475 a.C.) chegou a ser considerado obscuro. Talvez por pensar a contrapelo da resignação e do poder. Talvez pelo fato de suas reflexões dialéticas, sempre em devir, não prescindirem da contradição para a (auto)crítica.

Dizem que o fogo arrebatava Heráclito a ponto de ele o apreender como a síntese do movimento universal. O fogo que acalenta – e destrói. O fogo que alimenta – e nos consome. Você já caminhou entre os escombros de um incêndio? Apenas a memória – o toque que deve vestir luvas para afagar – pode lhe dizer que aquele foi seu quarto; que ali, precisamente ali, você velou sua mãe. Memórias cremadas. Mas a cavalaria do fogo, insuflada pelo vento, também abre caminho para novas plantações.

O fogo magnetiza – você já assistiu ao devir contraditório das labaredas e já auscultou o crepitar das chamas que extinguem o que já não pode ser? Ao se alimentar de si mesmo, o fogo se exaure e também prenuncia a paz – que são as tênues espirais de fumaça e a paisagem enegrecida pelo incêndio senão uma exortação a que recomecemos?

Munido do espírito contraditório do incêndio, o Portal Heráclito caminha entre nossos escombros, apreende o real aos soslaios, duvida de si mesmo, hesita, captura a memória como sombras fugidias, percorre, (foto)narrativamente, os interstícios do mundo, reflete e refrata, debate – sua metamorfose como Espaço Heráclito –, traduz e (se) contradiz.

Bem-vindos ao deserto do real – é a realidade desértica que o Portal Heráclito mais percorre. Para a utopia, o oásis não deixa de ser uma promessa. E o pensamento a contrapelo, contraditório como o acalento do incêndio – o afago incendiário – nos faz ver que a promessa, se é o que poderá vir, também desponta como o que ainda não veio.

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